Por Claudio Lopes
Sua carreira de mais de 60 anos renovou a crônica brasileira com humor, crítica e personagens inesquecíveis — e em sua trajetória o talento floresceu sobre a base sólida deixada por seu pai, Érico Veríssimo.
Morreu neste sábado (30 de agosto de 2025), aos 88 anos, o escritor Luis Fernando Veríssimo, um dos cronistas mais lidos e amados do Brasil. Internado há cerca de três semanas no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, o escritor enfrentava pneumonia, complicações cardíacas e sequela do AVC sofrido em 2021 e doença de Parkinson. Decreto de falecimento confirmado nesta manhã.
Ao longo de seis décadas de trajetória, Veríssimo publicou mais de 70 livros, vendendo cerca de 5,6 milhões de cópias, consolidando-se como uma presença constante nas colunas de jornais como Zero Hora, O Estado de S. Paulo e O Globo, além de ter suas crônicas adaptadas para TV e teatro.
Sua obra é marcada pela leveza, pela crítica social afiada e pelo humor refinado. Obras como Comédias da Vida Privada, adaptada com aplausos pela TV, e personagens icônicos como “O Analista de Bagé”, “A Velhinha de Taubaté” e o detetive Ed Mort, imortalizaram sua escrita — sobretudo pela capacidade de encontrar humor e sagacidade nas contradições da sociedade urbana.
O escritor também herdou o talento literário do pai, Érico Veríssimo, autor consagrado da trilogia O Tempo e o Vento. Embora seguisse uma trajetória própria — nutrida por crônica, sátira e jornalismo — a influência do pai foi determinante na formação de sua sensibilidade narrativa.
Bloco Analítico
Originalidade e proximidade: Veríssimo era raro: um autor com linguagem acessível, bom humor e crítica social profunda — que dialogava com leitoras e leitores como se conversasse na mesa ao lado.
Impulso coletivo da crônica: Suas crônicas ajudaram a elevar um gênero literário muitas vezes subestimado a patamares de influência cultural, ao mesmo tempo em que assinou sua própria marca.
Tradição e renovação: Embora respeitasse a herança literária de Érico Veríssimo, Luis Fernando soube reinventar seus caminhos, criando um universo autoral reconhecido por seu estilo único e vasta relevância no imaginário brasileiro.