Teerã acusa Washington de cruzar “linha vermelha” após bombardeios em bases nucleares. Novos ataques contra Israel elevam tensão regional e pressionam petróleo.

📍 Wordingview | Política Internacional | 24/06/2025
O que aconteceu:
O Irã confirmou nesta segunda-feira (23) que sua instalação nuclear subterrânea em Fordo foi atingida novamente, enquanto lançava novos ataques com mísseis e drones contra Israel. Em resposta à escalada, o regime iraniano advertiu os Estados Unidos que agora suas Forças Armadas têm “carta branca” para agir contra alvos americanos.
A ofensiva marca o segundo dia consecutivo de bombardeios desde que os EUA atacaram instalações nucleares iranianas com bombas antibunker de 13 toneladas, em retaliação ao suposto avanço nuclear do país.
Reação da ONU e expectativa de danos graves
Em Viena, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que, “dada a carga explosiva utilizada, danos muito significativos são esperados” na estrutura de Fordo. A instalação já havia sido atingida no domingo e sofreu novo impacto na segunda, segundo a TV estatal iraniana.
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Novo ataque a prisão de Evin e explosões em Teerã
No mesmo dia, um ataque aéreo israelense atingiu o portão da famosa prisão de Evin, em Teerã, segundo imagens de câmeras de segurança divulgadas pela TV iraniana. A prisão abriga diversos cidadãos com dupla nacionalidade e ocidentais usados como moeda de troca em negociações com o Ocidente.
Israel não assumiu a autoria do ataque até o momento.
Ameaça ao Estreito de Ormuz e repercussão global
Durante reunião em Bruxelas, a diplomata europeia Kaja Kallas declarou que a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz — rota crucial para o petróleo mundial — “seria extremamente perigosa e ruim para todos”. O temor é de que o conflito afete diretamente cadeias de suprimento globais de energia.
Outros líderes europeus, como o ministro alemão Johann Wadephul, pediram que o Irã volte à mesa de negociações com os EUA. “Já deixamos claro que uma solução real exige diálogo direto com os americanos”, disse.
Histórico nuclear e novas tensões
Desde que Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear de 2015, o Irã tem enriquecido urânio até 60%, um passo técnico dos níveis de 90% exigidos para armamento nuclear.
Apesar de garantir que seu programa tem fins civis, Teerã voltou a restringir inspeções internacionais. Em paralelo, autoridades iranianas afirmaram que retiraram material nuclear dos locais antes dos ataques americanos.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi também se reuniu nesta segunda-feira com Vladimir Putin, presidente da Rússia, reforçando o apoio estratégico entre Moscou e Teerã.
🌐 Conclusão
O recrudescimento da tensão entre Irã, Israel e EUA pode provocar impactos severos nos mercados, elevar o preço do petróleo e testar o equilíbrio diplomático global. A situação segue em desenvolvimento.