Brasil lidera adoção de stablecoins para remessas e tokenização agrícola em meio a regulatório em transição

O Brasil torna-se referência na América Latina no uso de stablecoins, sobretudo USDT, como alternativa eficiente para remessas internacionais e negociação de commodities. Em meio ao avanço dessa fronteira financeira, a aplicação prática e o modelo regulatório emergem como temas centrais do debate.

Uso crescente para remessas internacionais

Segundo o Banco Central, aproximadamente 90% do fluxo de cripto no país está vinculado a stablecoins — especialmente USDT — impulsionando um salto expressivo em remessas entre particulares e empresas. Essas moedas digitais oferecem rapidez e menor custo para envio de capital ao exterior, mas também geram instabilidade nos fluxos monetários, segundo autoridades monetárias brasileiras.

Ainda assim, o uso cotidiano esbarra em deficiências estruturais: pesquisas mostram que, embora 83% dos usuários brasileiros possuam USDT, apenas 37% o utilizam para pagamentos reais, em razão de altos custos de taxa e baixa aceitação comercial.

Tokenização agrícola e remessas corporativas

A aquisição de 70% da Adecoagro pela Tether — realizada por cerca de US$ 600 milhões — sinaliza uma mudança de paradigma: o uso de stablecoins diretamente na cadeia de commodities, como açúcar, etanol e grãos. Com isso, os pagamentos internacionais se tornam instantâneos e mais baratos, integrando transações físicas ao universo digital. O modelo já está em testes em parceria com empresas como Parfin e Bradesco para uso em exportações agrícolas.

Regulatório em transição

Embora o Brasil prepare um marco regulatório para stablecoins e tokenização ainda em 2025, as diretrizes definitivas ainda não foram implementadas. Até lá, autoridades veem risco em atividade não supervisionada: o mercado corre à frente da legislação, exigindo colaboração internacional para controle efetivo.

Mesmo diante desse cenário, o crescimento paralelo dessas iniciativas corporativas e a avalanche de volume digital colocam o Brasil como um polo dinâmico na experimentação de finanças digitais.

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