Brasil prepara incentivo fiscal para atrair data centers com energia 100% renovável

Por Claudio Lopes


Programa “Redata”, com lançamento previsto para setembro, oferece isenções tributárias federais a empresas de tecnologia que instalarem centros de dados movidos por energia renovável — busca aproximar o país das Big Techs em meio à tensão comercial com os EUA.


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O governo brasileiro está finalizando o lançamento do programa “Redata”, previsto para setembro de 2025, com o objetivo de atrair grandes empresas de tecnologia a construir data centers no país. Segundo economistas consultados, o plano oferece isenção de impostos federais — como PIS, Cofins, IPI e tarifas de importação — para projetos que utilizarem 100% de energia renovável.

Essa iniciativa estratégica busca reparar relações com os Estados Unidos, que impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, e reposicionar o Brasil como opção de investimento para Big Techs, especialmente em meio a estados americanos com restrições energéticas.

O programa também ampliará exigências para as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs): agora, todos os centros de dados previstos nessas zonas deverão utilizar energia proveniente de usinas renováveis a serem construídas. O modelo segue em espera para aprovação no Congresso.

Projetos concretos já despontam: no complexo portuário de Pecém, no Ceará, há uma joint venture em negociação entre a Casa dos Ventos e a ByteDance (controladora do TikTok) — exemplificando o tipo de investimento que Brasília pretende fomentar.


Bloco Analítico

A estratégia do Redata sinaliza alinhamento com a transição energética global, aproveitando o excedente renovável brasileiro como vantagem competitiva.

A medida busca criar um ambiente econômico de infraestrutura tecnológica sustentável, capaz de atrair empresas de tecnologia e fomentar a digitalização no mercado nacional.

Politicamente, o programa funciona como ferramenta de diplomacia econômica, oferecendo contrapartidas positivas aos Estados Unidos enquanto se fortalece o diálogo por investimentos.

O sucesso depende de aprovação legislativa rápida, de garantias regulatórias e da capacidade de atendimento técnico e energético em regiões estratégicas como o Nordeste.

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