Por Claudio Lopes

O IPCA-15 registrou alta de 0,48% até meados do mês, impulsionado por custos de aluguel e tarifas de energia; cenário pressiona o Banco Central e preocupa investidores.
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, apresentou alta de 0,48% em setembro, após registrar estabilidade em agosto. O resultado foi puxado principalmente pelos aumentos no custo da habitação e da energia elétrica, refletindo os impactos do reajuste tarifário e da pressão sobre os preços de aluguel.
Segundo o IBGE, o grupo Habitação subiu 1,18% no mês, com destaque para a energia elétrica residencial, que avançou mais de 4%. O grupo Transportes também registrou alta, pressionado por combustíveis, enquanto Alimentação e Bebidas teve leve desaceleração.
No acumulado de 12 meses, o índice passou a 4,62%, ainda dentro da meta estabelecida, mas com tendência de alta que pode comprometer a trajetória de estabilidade desejada pelo governo.
Bloco Analítico
Pressão no Banco Central: O resultado aumenta a pressão sobre a política monetária, que tenta equilibrar cortes graduais na taxa Selic com o risco de reaceleração inflacionária.
Impacto no bolso: Energia elétrica e aluguel são itens de peso no orçamento das famílias, o que amplia a percepção de perda de poder de compra.
Mercado financeiro cauteloso: A alta do IPCA-15 reforça expectativas de que o ciclo de cortes na Selic possa ser mais lento do que o antecipado, afetando projeções para renda fixa e renda variável.
Risco fiscal como pano de fundo: Analistas apontam que, além da pressão de preços, o ambiente fiscal ainda fragiliza a confiança em relação ao controle da inflação no médio prazo.